Eu juro. Tentei algumas vezes. Ainda tento. Desde o meu primeiro trabalho com dez anos de idade eu tentava. Cada carro que eu lavei para ganhar mais R$5 de mesada era uma tentativa. Você pega a minha carteira de trabalho e estão quase todas as tentativas registradas lá. No final, continuo na mesma bosta. De Analista para Coordenador, de Coordenador para Analista Júnior I, Júnior II, Júnior Jr. Deveria estar rico agora. É o que eu penso toda vez que eu entro no meu UNO. E quanto mais o tempo passa eu vejo que o grande X da questão não é o fato de ter de me contentar em dirigir UNO agora para economizar e um dia ficar rico, mas sim a constatação de que todas as pessoas que são ricas agora jamais dirigiram um UNO.

Mas tudo bem. O que importa o dinheiro se existe o amor?

Eu juro que tentei. Eu juro. Tentei várias vezes. Ainda tento. Desde a minha primeira namorada com uns 16 anos de idade eu tentava. Cada menina que já me mandou a merda, riu de mim, me jogou coisas era uma tentativa. Você abre a minha gaveta e estão todas as tentativas registradas lá. Em cartas de amor e de separação. No final, continuo na mesma bosta. De amigo a namorado, de namorado a amigo especial, a amigo, a conhecido e “eu sei quem é”. Eu deveria estar com alguém agora. É o que eu penso quando tentam me apresentar alguém. E quanto mais o tempo passa eu vejo que o grande X da questão não é o fato de eu estar sozinho agora e ainda imaginar que encontrarei o grande amor da minha vida, mas sim o fato de que mesmo encontrando alguém depois dos 30 isso não pode ser chamado de “grande amor da vida” porque você tem apenas metade dela para viver.

Mas tudo bem. Quem precisa de amor e dinheiro se existe religião?

Eu juro que tentei. Eu juro. Tentei algumas vezes. Ainda tento. Desde o catecismo com sei lá anos de idade eu tentava. Cada missa que fui era mais uma tentativa. Remexendo o fundo do meu armário você encontra santinhos, terço e velas. Tudo registro das minhas tentativas. No final, continuo na mesma bosta. De cristão fervoroso a cristão. De cristão para católico. De católico para… whatever. Eu deveria ser mais religioso agora. E quanto mais o tempo passa eu vejo que o grande X da questão não é não ter tanta fé, e sim da fé toda que eu vou precisar para salvar essa alma.

Mas tudo bem. Quem precisa de amor, dinheiro e religião se você tem….

Sabe de uma coisa? Eu não tenho muita coisa. E observei que não sou apenas eu. Procurei os meus amigos, os amigos dos meus amigos e eles também não estão muito bem. Ninguém é bonito, rico, famoso ou feliz. Na verdade, todos nós colecionamos mais fracassos do que vitórias, mas escondemos isso dos outros. Da família, dos amigos, dos colegas de trabalho, de nós mesmos e de Deus.

Passamos a vida observando os vitoriosos. Admirando, invejando, idolatrando. Enquanto ninguém lembra do derrotado.

Até agora.

Dizem que o primeiro passo da reabilitação é admitir a doença. Admito, sou um derrotado. Espero que o relato da minha história e estudo da desgraça alheia me ajude a sair dessa condição.

Espero que ajude não só a mim, mas também o meu amigo de blog Zé Alves (que já aceitou a sua condição de derrotado e também escreve aqui), todos os meus amigos e possíveis leitores.

E se depois de um tempo eu observar que nada disso fez a minha vida mudar, que eu não tive nenhum crescimento pessoal, que certas pessoas simplesmente nascem com a estrela apagada, talvez eu escreva um outro blog e comece assim:

Eu juro que tentei.