Dizem que ter um filho é a maior realização de um homem. Pode até ser, mas é difícil você ouvir um colega de serviço contando vantagem do pimpolho que fez. Essa tarefa é quase uma exclusividade das mães. Homem tende a falar mais daquela gostosa que “quase comeu” na semana passada.

Eu, por exemplo, evito falar que meu filho é resultado de um duplo fracasso.

O primeiro fracasso, como não poderia deixar de ser, foi o meu casamento. Cinco meses de noivado, um ano de matrimônio e uma vida inteira para lembrar do divórcio.

O segundo fracasso começou no Chile, seis meses depois da separação, na adega que originou a garrafa de vinho, que viajou até o Rio de Janeiro e, junto com algumas doses de tequila, uma ex-esposa carente e uma ligação no meio da noite, venceu o bom senso que mantinha minhas calças no lugar certo.

Não me entendam mal. Meu guri é o máximo. Ele tem cinco anos e eu adoro ficar os fins de semana em sua companhia. Já pensei até mesmo em passarmos mais tempo juntos, mas achei por bem adiar a idéia. Afinal, mesmo uma criança rapidamente notaria que não sou como os outros pais. Eles que ainda perseguem o “sonho classe média” e fingem saber como fazer amigos e influenciar pessoas.

Vou esperar o garoto ficar um pouco mais velho. Então ficará mais fácil explicar que o mundo não é esse que tentam vender na televisão. Tudo bem que Papai Noel ele já desmascarou, mas outras ilusões da infância ainda devem ser preservadas.