Eu nasci para ser apenas mais um. A maior prova disso é que me formei em Administração de Empresas por vocação, e não pela simples necessidade de ter um diploma (aquele pedaço de papel que garante uma cela onde não comam seu rabo na cadeia).

O nome do curso já diz tudo. É administrar. Esqueça inventar, revolucionar, multiplicar, solucionar, desbundar e chutar o pau da barraca. Você até estuda as pessoas que fizeram tudo isso, mas o nome manda só administrar. Pegar a bola no meio de campo e dar um toque de letra para o lado. Seguir a receita de bolo do Parreira: deixar o tempo passar até o adversário morrer de tédio ou o Henry meter um gol nas costas do Roberto Carlos. O que vier primeiro.

Medíocre? Sim, com orgulho. As pessoas perdem muito tempo tentando parecer mais bem sucedidas e bem dotadas do que realmente são. Aliás, esse é exatamente o problema de ser classe média. Depois eu explico melhor, mas aproveito o bonde e adianto um tema para reflexão. Um cidadão classe média é, por definição, infeliz.

Se o meu filho quiser fazer a mesma faculdade que eu, tudo bem. Se der na telha de ser astronauta, bombeiro, médico ou engenheiro (quatro profissões que considero igualmente fantasiosas), nenhum problema. Só não vou compactuar se ele escolher masturbações mentais tipo Ciências Sociais ou Filosofia.

Nada contra os filósofos. Gosto muito de ler o que eles escrevem. Mas passar a faculdade inteira ouvindo papo de bêbado na sala de aula e jogando sueca na mesa do bar não paga nem o valor da inscrição no vestibular.

Tempo é dinheiro até para quem gosta de filosofar. Economize virando sócio de uma boa biblioteca e aprenda um jogo realmente útil no pôquer com a turma de ecomonia. Isso sim é um conselho de pai.