Sempre falta tempo. Aliás, caso você não tenha notado, a cada dia que passa falta mais tempo na sua vida. Para escrever então, nem se fala.

Li outro dia sobre o Michel Melamed, o cara que apresenta um programa interessante na TVE. Recorte Cultural. Ele falou que não tinha TV em casa para conseguir terminar seu projeto de ler cem grandes obras da literatura brasileira. Era mais ou menos isso. Tinha um prazo também na história. Procure no Google se quiser saber mais.

A grande pergunta não é “como ele se assiste se não tem TV em casa?”, mas sim “para aonde está indo a porra do meu tempo?”. Se eu não estou escrevendo tanto neste fracasso de blog, pelo menos deveria estar fazendo algo mais útil do que o Melamed.

Esqueçam a história de jogar a TV fora. Além de acompanhar a novela das oito (único hábito que mantive da época de casado), preciso dela para ver os DVDs educativos que compro na banca de jornal. Lamento muito, mas duvido que seja possível bater umazinha lendo a obra completa de Machado de Assis.

Dizem que o ócio criativo é fundamental para ter qualidade de vida. Pois bem, nos últimos tempos minha atividade ociosa preferida é sentar no bar, virado para a rua, e degustar uma cerveja. A cada mulher que passa, crio uma cantada toscaria bem ao estilo porteiro. A diversão é nunca repetir verbos, substantivos ou adjetivos. Metáforas inovadoras valem pontos extras.

Falar a cantada em voz alta depende do gosto do freguês. Ou do tamanho do namorado da mulher. Eu prefiro utilizar meu trabalho para realizar o que os profissionais de recursos humanos chamam de “couching”. A meta de curto prazo é ajudar o porteiro do meu prédio a comer a babá peituda do 507.